Adm profissional do futebol

Adm profissional do futebol

Os princípios da administração estão inseridos em qualquer organização, seja uma empresa, instituição de ensino ou clube de futebol. A administração dessas organizações é realizada buscando-se alcançar os objetivos traçados a partir dos elementos administrativos de “…planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar os esforços realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para alcançar os objetivos estabelecidos” (FAYOL, 1981, p. 5). Para Chiavenato (2004, p.515) a administração é a ferramenta, a função ou o instrumento que torna as organizações capazes de gerar resultados e produzir o desenvolvimento. Maximiano (2001, p. 26) considera que “a administração é um processo de tornar decisões e realizar ações que compreende quatro processos principais interligados: planejamento, organização, execução e controle”.

Segundo Lacombe e Heilborn (2003, p.49), “para administrar uma empresa é aproveitar da melhor forma as circunstâncias externas, de modo a utilizar o mais eficientemente possível os recursos que dispõe (pessoas, máquinas, materiais e capital) para fazê-la sobreviver e progredir”.

Independentemente de serem instituições sem fins lucrativos (instituições governamentais, esportivas, empresas privadas ou empresas públicas) é necessário que utilizem os conhecimentos científicos, os processos administrativos e as ferramentas administrativas disponíveis para o gerenciamento e a otimização dos recursos produtivos disponíveis. (PEDREIRA, 2013, p. 20).

Os gestores das entidades, de modo geral, incluindo os clubes de futebol, enfrentam desafios que surgem rotineiramente decorrentes do mercado globalizado e competitivo em que as organizações atuam. Alguns destes desafios se devem em parte, à grande velocidade com que as informações são geradas e à qualidade dessas numa tomada de decisão. (TOLEDO FILHO; ANTOS, 2010, p. 10).

“Um time de futebol não é nada mais do que uma empresa. No ataque temos os homens do marketing, eles devem vender o show. No meio-campo são os gestores, e os defensores são os contadores que têm de ter cuidado para que tudo fique a salvo”. Essa citação e atribuída ao treinador italiano Fabio Capello (1981) durante o período que foi treinador do time do Milan.

A citação de Capello demostra que há muito tempo existe uma relação entre futebol e negócios. No mundo inteiro, em maior ou menor grau, o futebol é um grande negócio que a cada ano movimenta bilhões de dólares. A comercialização do esporte significou uma grande mudança para os clubes que deixaram o amadorismo de lado e passaram a fazer uma administração mais profissional e que com o passar dos anos tem se aprofundado cada vez mais. Sai a gestão amadora e entra a gestão profissional. Além disso, o futebol passou a fazer parte do segmento produtivo do esporte, sendo muito importante para a economia mundial. (AZEVEDO et al, 2011; GASPARETTO, 2013).

Em 2000, a Fundação Getúlio Vargas apresentou o relatório do Plano de Modernização do Futebol Brasileiro, uma profunda pesquisa que expunha dados importantes sobre o futebol brasileiro e mundial. O relatório trazia quais eram os agentes diretos do futebol, como clubes e federações, e os indiretos, como indústrias de equipamentos esportivos e a mídia, tendo o futebol mundial, a época, movimentado, em média, cerca de 250 bilhões de dólares anuais. Uma proporção economia desse tamanho precisa ser muito bem administrada. (LEONCINI; SILVA, 2004).

Os grandes clubes de futebol chegaram a um alto nível de complexidade em suas funções e atividades desenvolvidas e assim passou-se a considerar a inclusão de profissionais capacitados para realizar a gestão dessas organizações. No contexto atual, fica inviável administrar um clube somente com boa vontade, conforme ocorreu durante décadas no Brasil e no mundo. É preciso planejar o crescimento do clube, suas atividades, a formalização de procedimentos e regras, estabelecer os papéis e funções, a coordenação adequada entre as áreas e um processo definido para todos com o objetivo de alcançar uma maior eficácia e eficiência de tomada de decisões na gestão do clube. (GÓMEZ; OPAZO, 2007; AZEVEDO et al, 2011).

Como em qualquer ramo de atuação, o clube de futebol, como uma empresa, busca sempre procura a perenização, que é a consolidação de sua existência, por meio de resultados financeiros positivos ao longo do tempo. Clube esportivo é definido como local de uma sociedade ou agremiação dotado de instalações para a prática de esportes (competitivo-individuais ou em equipe) e/ou de recreação de seus associados. Também é um local onde se realizam reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político e social. No entanto, o objetivo de um clube de futebol profissional de elite não é só fornecem programas de esporte para a comunidade, mas também formar uma equipe de primeiro nível que representara o clube em competições nacionais e internacionais. (FERNANDES, 2000).

Mas segundo alguns autores, é um produto realizado por trabalhadores, utilizando espaços e equipamentos em competição entre adversários o futebol caracteriza-se como negócio. Logo, é indústria e um negócio. (SZYMANSKI; KUYPERS, 1999 apud GASPARETTO, 2013). Apesar do objetivo maior dos clubes de futebol ser a obtenção de títulos, a lucratividade como finalidade de qualquer organização não pode de hipótese nenhuma ser colocada de lado. O desempenho financeiro precisa estar ligado ao esportivo. Assim, os desafios tanto do clube de futebol como de uma empresa passam a ser semelhante, que é o de implementar modernas técnicas administrativas, adotando métodos de gestão que permitam às mesmas serem competitivas (TACHIZAWA; FERREIRA; FORTUNA, 2004).

Deve-se considerar que gerir um clube de futebol, envolve mais do que simplesmente administrar. O futebol é acima de tudo uma economia da experiência, sem venda de serviços, mas sim de sensações, em que seu torcedor-cliente deve receber um espetáculo, uma vivência memorável. “Trata-se de um esporte tão adorado e complexo devido as suas relações estabelecidas entre clubes, federações, torcedores, mídia, necessita de uma estrutura lógica que ajude a administrar o negócio “futebol”, enquadrando-o na economia de serviços, mais especificamente na economia do entretenimento”. (GASPARETTO, 2013, p. 826).

No Brasil, segundo dados do relatório da Fundação Getúlio Vargas, já citado, o futebol, como atividade econômica, apresenta uma grande capacidade de gerar empregos. Pode-se contabilizar: 300 mil empregos diretos; 30 milhões de praticantes (formais e não formais); 580mil jogadores em 13 mil times que participam de jogos organizados (esporte formal); 580 estádios com capacidade para abrigar mais de 5,5 milhões de torcedores; cerca de 500 clubes profissionais disputando uma média de noventa (90) partidas por ano; e em termos de fornecimento anual de materiais e equipamentos esportivos, são cerca de 9 milhões de chuteiras para futebol e futsal, 6 milhões de bolas e trinta e dois (32) milhões de camisas. (LEONCINI; SILVA, 2004; PEDREIRA et al., 2013).

Com a promulgação da Lei 9.615 de 1998, conhecida como Lei Pelé, as organizações esportivas passaram a ter uma regulamentação jurídica mais consistente a partir da promulgação, sendo que com a lei 9.981 alterações significativas possibilitaram a transformação dos clubes em empresas. Assim, os clubes poderiam se transformar em sociedades com fins econômicos ou contratarem empresas para gestão ou em sociedades comerciais dá-se a oportunidade das associações esportivas a objetivarem o lucro. (PIMENTEL, 2011).

Apesar de algumas mudanças, no futebol brasileiro o profissionalismo só é realmente percebido dentro de campo, através dos atletas e comissão técnica que tem dedicação exclusiva aos clubes. Com relação aos administradores, a maioria trabalha em outras ocupações e destina apenas algumas horas durante a semana para atender as demandadas administrativas do clube. Portanto, profissionalizar a parte administrativa é totalmente necessário e indiscutível, almejando uma gestão mais eficiente e melhores resultados e lucros. (GASPARETTO, 2013).

“A essência da gestão esportiva é maximizar os lucros e manter bom desempenho técnico das equipes e atletas. Os principais fatores que determinam a lucratividade e a lógica do negócio para os clubes são o desempenho em campo, lucro, receita e despesas com salários”. (PEDREIRA et al., 2013, p. 27).

O maior objetivo de um clube de futebol é um desempenho técnico favorável de sua equipe. Mas para que isso ocorra, o trabalho fora de campo deve ser muito bem gerido. Nesse caso, torna-se essencial o trabalho de gestores profissionais com dedicação exclusiva à administração dos clubes.

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